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28 de março de 2013

Eu vejo a minha vida como cena de filme

De vez em quando pego-me a devanear (?!) e imaginar o futuro como num filme latino dramático e passional.

O cara gato que você viu ontem na locadora, que fez apenas um comentário sobre um filme, vira o motoqueiro sensual e diz: não quer ver Ted comigo lá em casa (levanta a sobrancelha)? Antes de chegar ao quarto já fizemos amor na garagem, e de novo lá em cima, numa kit em Perdizes, sem muitos móveis mas com uma vista ótima, mas antes um baseado, um gole de uisque, uma conversinha sem graça...
Um cochilo pós coito, uma manta que apareceu do nada , uma conchinha despretensiosa.
A luz entrando pela janela panorâmica, ele me trazendo um café preto , fumando um cigarro, fumamos, transamos, eu me visto, close na cena , vestindo calcinha de renda.
Enquanto ele toma banho sutilmente vou embora, pra sempre, pra nunca mais voltar.
Para ele lembrar para sempre e me procurar por ai, por São Paulo, pelas locadoras, pelas cenas, me encontrando nos filmes.

FIM.

Cêtatendendu??

17 de fevereiro de 2009

Os 5 últimos filmes que vi

Funciona assim, 5 filmes, 5 dias, R$ 2,50 cada. Não são lançamentos, mas essa é uma oportunidade de ver e rever aqueles filmes sempre comentados nas rodinhas de amigos, e aquelas sugestões antigas.
Lembrando que sou um "as no " cinema, se é que me entendem (piadinha sem jeito essa), uma pessoa leiga, com alguma sensibilidade. Espero que as dicas sejam úteis.

Alpha Dog

Sinopse:Filme escrito e dirigido por Nick Cassavetes, lançado em Janeiro de 2006.
O filme é baseado em fatos reais, sobre a vida do traficante Jesse James Hollywood ( Johnny "Truelove" no filme) , que passou a ser o homem mais jovem da lista de procurados do FBI após o sequestro do irmão de um devedor. Devido a pouca idade dos sequestradores e do sequestrado também, tudo parece uma grande farra, uma grande festa,mas as coisas vão mal, senão não tem filme não é?

Comentário: Falaram pra mim que era um filmaço. Achei um bom filme, para ver no sábado a tarde, mas nada de excepcional. Por ser baseado numa história real, é difícil acreditar como o sequestro não foi solucionado antes, com tantas testemunhas. Mostra pessoas negligentes, preocupadas com suas vidas e suas biritas, seu dinheiro e só. O velho esquema rico-fútil.
E não é que gostei do Justin Timberlake atuando?Ele tomou a cena, pois o Johnny Truelove ficou um pouco de canto em alguns momentos.
A última cena da Sharon Stone vale a pena ver.








O Show de Truman
Sinopse: Dirigido por Peter Weir, lançado em 1998.
Conta a história de Truman Burbank (Jim Carrey) que nasceu, cresceu e vive com uma câmera de televisão relatando 24 horas o que acontece com ele. Só que ele não sabe. Tudo ao redor dele é manipulado, todas as pessoas de seu convívio são atores, e a cidade é cenográfica. Até que ele começa a desconfiar e a investigar as estranhezas do cotidiano para descobrir a verdade.



Comentário: Eu gosto de ver o Jim Carrey fazendo um bom filme, sem aquela cara de idiota e aquelas caretas irritantes que ele costuma fazer nos de comédia. Achei o filme meio perturbador, tinha vontade de gritar na orelha do Truman "ACORDA PORRA"!
Mas quem nunca se viu num filme como esse, no qual as pessoas fingem ser o que não são, fingem amizade, amor, vida perfeita, enfim, temos um pouco de Truman dentro de nós, querendo viver a fantasia da perfeição e convivendo com atores de primeiro escalão. Basta acordar para isso, e se libertar, porque, como no filme, as evidências caem do céu, basta acreditarmos ou não.







Capote
Sinopse:Dirigido por Bennett Miller, de 2005.
Em novembro de 1959 Truman Capote (Philip Seymour Hoffman), o autor de Bonequinha de Luxo, interessa-se pelo assassinato de 4 pessoas da mesma família ocorrido no Kansas. Vai fazer a reportagem sobre esse assassinato.
"Com sua voz infantil, maneirismos femininos e roupas não convencionais, inicialmente levantando hostilidade numa parte do país que ainda pensa como parte do Velho Oeste, Capote rapidamente ganha a confiança dos locais, mais notadamente de Alvin Dewey (Chris Cooper), o agente de investigação do Kansas que está liderando a caça aos assassinos. Pegos em Las Vegas, os assassinos - Perry Smith (Clifton Collins Jr.) e Dick Hickock (Mark Pellegrino) - são devolvidos ao Kansas, onde são julgados e senteciados à morte. Capote os visita na prisão. À medida que os conhece se dá conta de que o que ele teria imaginado ser um artigo de revista se transformou num livro, um livro que poderia ser um dos maiores da literatura moderna."
Fonte: http://www.cinepop.com.br/filmes/capote.htm

Comentários: Eu achei esse filme do caralho. Começando pela interpretação do Philip Seymour, grande presença, com os tiques e a voz para completar a veracidade da personagem. Uma transformação enorme.
Discute-se o método utilizado por Capote para conseguir seu livro, pois ele se passou por "amigo" dos assassinos e prometeu "humanizá-los", mas já no título " A Sangue Frio" desmente isso.
Oras bolas, os caras matam 4 pessoas "a sangue frio" e é pra ter compaixão?
Dizem que depois que escreveu o livro, mergulhou no uisque , ficou doidão, isso porque apesar de ser jornalista e estar lá "só pra fazer seu trabalho" se envolveu emocionalmente (as bem más línguas falam que até sexualmente) com Perry Smith, um dos assassinos.
Esse livro é um marco no jornalismo literário e estou até pensando em comprá-lo. Mas para quem não é fã de leitura, assista ao filme, vale a pena.



Feliz Natal
Sinopse: Dirigido por Christian Carion, 2005
"Natal de 1914, em plena 1ª Guerra Mundial. A neve e presentes da família e do exército ocupam as trincheiras francesas, escocesas e alemãs, envolvidas no conflito. Durante a noite os soldados saem de suas trincheiras e deixam seus rifles de lado, para apertar as mãos do inimigo e confraternizar o Natal. "
Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/feliz-natal/feliz-natal.asp



Comentário:
Esse é baseado em fatos reais também. Surreal. Imagine só, no meio da guerra, os homens saem das trincheiras para dividir seus vinhos, cigarros e chocolates,ouvir uma palhinha de um recital, mostrar as fotos de suas esposas e no dia de Natal até jogar uma partidinha de futebol!
Sem sentimentalismo barato, com bela fotografia, uma história inusitada como essa deve ser mostrada ao mundo. E foi mostrada de maneira comovente (eu fiquei comovida, achei "doce").
E como depois de tudo isso voltar para as trincheiras e atirar sem dó no "inimigo"? ( que a essa hora não são mais inimigos, e os soldados percebem que nem todos queriam estar lá, nem todos querem aquela guerra, e que aquilo não tem mais sentido)
Toda vez que assisto filmes de guerra penso a mesma coisa: guerra é uma grande estupidez! E sinto um vazio ao pensar que estamos vivendo em guerras, talvez as mais estúpidas da história e que estamos de mãos atadas. Blablabla.



O Homen Elefante
Dirigido por David Lynch, 1980.
Baseado em manuscritos do dr. Frederick Treves (interpretado por Anthony Hopkins) que descobriu em um circo de aberrações o inglês John Merrick, portador de uma doença que provocou terríveis deformidades em 90% do seu corpo. Ele é internado no hospital de Londres, onde mostra que, apesar de parecer um monstro, possui certa intelectualidade e sensibilidade extrema.


Comentários: Impossível não sentir dó, ou piedade, ou compaixão por John Merrick. Especialmente sabendo que ele não era retardado, e que estava ciente da situação que vivia.
E essa situação era a exploração de sua "desgraça", tanto no circo de horrores, quanto no hospital, quando era mostrado como aberração para a comunidade científica, ou quando virou personagem "cult" da sociedade inglesa, era convidado para chás, mas as pessoas não podiam deixar de exibir repulsa por ele, visitando-o apenas para aparecer em jornais.
Portanto, esse filme nos traz sentimentos diversos, dó, desprezo, repulsa, e até a culpa por sentirmos tudo isso,afinal deveríamos tratá-lo com igualdade, não julgá-lo por sua aparência física, é o que indica a cartilha dos bons costumes.
É um clássico, é muito legal de ver também o Anthony Hopkins novinho da silva, obviamente em ótima atuação.


Fiz boas escolhas na locadora, a maioria delas, sem querer,baseadas em fatos reais, histórias marcantes, inusitadas e inovadoras, tal qual a vida como ela é.