18 de julho de 2008

Memórias

(Ou tentativa número 2 de escrever um livro)

Sou uma pessoa desmemoriada. Se é que a palavra existe. Dizem que muito álcool e muito fumo fazem isso, mas não me considero nem tão bêbada, nem tão noiada.
Mas a verdade é que cada dia que passa lembro menos das coisas.
Nem sempre foi assim. Sabia aniversários, palavras, atos, festas, quem foi, quem não foi o que acontecia... Sabia tudo. Nada costumava escapar da minha mente sã.
Com o tempo tudo se perdeu. Lembranças de tardes boas, de porres homéricos, de ex-namorados, de fodas, de empregos , a fisionomia das pessoas distantes, perdi tudo.
Não me recrimine. Faço um esforço danado para lembrar. “Eu vou lembrar disso amanhã”, “Espero lembrar disso amanhã”, “Quero lembrar disso amanhã”, e às vezes até consigo, porém no dia depois de amanhã, tudo se foi.
Um trauma? Um apagão cerebral proposital? Memória seletiva? Não sei.
Sei que a coisa me incomoda. O que você comeu no almoço hoje? Não sei te responder.
Como era sua infância? Como era a sensação de fazer uma faculdade por 4 anos e não gostar? Como foi sua passagem de ano pro novo milênio?
Coisas simples. Fugiram...
Como nossas memórias fazem parte do que somos, e como o que eu estou sendo não está legal, resolvi procurar ajuda.
Não, não fumei mais um pouco, nem tomei mais um trago, nem falei com meu velho amigo Jack, e não andei no cavalo branco.
Não, também não passei horas da minha vida no msn enchendo o saco dos amigos, nem chorei no travesseiro, nem nada disso.
Encarei ajuda profissional.
Psicoterapeuta, psicóloga, psicanalista, psicoaputaquepariu.
Sei lá que diabos ela era.
Aquele climão. O de sempre. Médicos, ou qualquer coisa que te faça usar branco como uniforme, te olham como cu. Sabe ? Aquela cara de cu? É foda. Eu odeio.
E ainda médico de mente, te olha com cara de cu de louco. Nem vem me falar que não é coisa de louco e blábláblá, porque é. Você paga a filha da puta pra descobrir o por quê você é pirado. Vê se faz sentido? Ela não vai resolver seu problema, vai enfiar um monte de bosta na sua cabeça, você vai pagar por isso, e ela vai sorrir e dizer: Vá pra casa e pense...
Prometo fazer um esforço terrível para ser bem louca mesmo, assim talvez a loira aguada desbundada me passe uns tarjas pretas. Quem sabe tacar aquele quadro da USP na parede seja um bom começo. Ficar com os olhos arregalados... Aquela cara de Charles Manson ... Vai funcionar, vamos ter fé. Prometo dividir com vocês.
Mas enfim. A desgraçada me mandou escrever tudo o que eu lembro. Disse que ia ser bom, já que eu gosto de escrever e tudo. Caralho. Paguei 100 conto para a desgraçada falar para eu fazer o que eu já faço! Podia pegar essa grana e comprar uma cachacinha, uma maconhinha, e escrever da mesma maneira! Mas não, gastei meus 100 contos com uma loira. Se é que me entendem. E nem me deu beijinho.
Podia estar locassa escrevendo. To careta, com 100 lascas a menos no bolso.
Aliás, você já tentaram escrever bebassos? Cara, é bem legal.
Eu faço isso de vez em quando. Apesar de nunca lembrar o porquê, quando e para quem eu escrevi tudo aquilo. Só lembro mesmo porque caderno esta do lado, e eu estou toda riscada de tinta azul.
Outro dia mesmo, escrevi algo bem legal para o amor da minha vida desse mês.
Lembro de ter ficado emocionada ao escrever. Aquela coisa de amor, sabe?
No dia seguinte, fui tentar ler. Meu deus. Nada se entendia daquilo! Era um borrão só. Minha letra péssima por natureza tinha se tornado uma arte digna de expressionismo.
Uma pena. Tinha ficado bom eu acho.
Mas voltando ao assunto, a mulher me intimou a escrever essas porras.
E ainda deu-me liberdade poética, para escrever o que eu quiser, na ordem que eu quiser, de quem eu quiser.
Desculpe a quem se ofender. É tudo culpa de Freud...


Estou tentando novamente começar a escrever alguma coisa. Ai vai parte. Algo real, algo totalmente fictício. Algo que ofenda, algo de brincadeira. Algo bem clichê, algo novo. Pretendo continuar. Enjoy it...

Um comentário:

MM. disse...

cê tá zuando comigo que tu foi? dava 100 conto pra mim, poha!