16 de setembro de 2008

Invisível

Durante algum tempo da minha vida, fui uma pessoa que berrava a atenção das pessoas. Algumas vezes por bem, outras por mal. Bom, não é comum ver uma moça de cabelo azul, tatuada cheia de buracos na cara.
Às vezes, incomoda bastante. Se eu quero ser desse jeito, devo aceitar que me olhem, porém não como atração circense. De tanto incomodar, e de tentar procurar emprego, resolvi ser morena, tirar alguns brincos, esconder a tatuagem. Usar uma camuflagem de séria, usar terninho e sapato de salto pra entrevista. Mesmo que isso me deixe com alguns calos nos pés.
Resolvi também que não queria chamar atenção. Não quero ser loira, não quero ser gostosona, não quero usar quilos de maquiagem para parecer mais bonita, apenas do meu modesto potencial.
Vivemos no mundo de aparência. A loira que quer ser gostosa tem a atenção do público. Com os peitos quase pra fora, consegue um lugar no metrô, enquanto eu fico espremida entre olhares que passam sobre mim.
Eu consegui. Tornei-me invisível na selva de pedras.
Não sou assediada quando passo em frente a construção. Ninguém fica secando a minha bunda descaradamente. Não preciso dispensar 100 mil caras na balada, porque como não estou semi-nua não chegam em mim.
Invisível!
Se querem ter algum interesse, que seja pelos motivos certos.
Porque a futilidade uma hora deve incomodar. Uma hora acordará com a maquiagem borrada. Faz parte do mundo de aparências.
Sustentar isso, é um grande, grande fardo.
E não que eu invisível não passe por isso: Se você fizesse umas luzes nesse seu cabelo natural, usasse um salto e um decote, gataaaa ia arrasar! Não iria ter um cara que não olhasse para você!
Como se todas as mulheres do mundo precisasse de olhares masculinos para esconder a fragilidade de suas existências.
Não, eu passo. Eu quero que me olhem as pessoas interessantes.
Quero que falem comigo não somente por interesse sexual.
Quero pessoas que enxerguem além do mundo de faz-de-conta.
Óbvio, todos querem ser desejados, de uma maneira ou de outra, mas será que não estamos vivendo uma era em demasia sexual?
Conversar é legal. Ler, é legal também. Ser interessante por motivos diferentes também.
Eu odeio essa mesmice. Essa rotina, esse todo dia a mesma coisa.
Algumas pessoas querem mais sempre. Avançar sempre. E eu desejo estar entre essas.

3 comentários:

MM. disse...

vc é foda, mah! eu ainda não dispensei totalmente a maquiagem, mas ela depois de 15 minutos alguém me olhando, senão tiver conteúdo, cansa só de olhar. Sei lá, acho isso.

Sammia disse...

gosto de vc de todos os jeitos que vc eh.

Neto disse...

É sempre estranho ver alguém azul, com tatuagem no cabelo e um buraco com uma cara! Ou coisa do tipo... Engraçado você dizer isso, porque eu também passei por essa mudança. Acho que é amadurecimento. Eu até passei por uma nova cirurgia, para tirar o silicone das mamas, e confesso ter me machucado propositadamente algumas vezes, no rosto. E olha que eu sou homem! Brincadeiras à parte, realmente nós mudamos, amadurecemos e aprendemos que ser reservado é uma necessidade. Essas pessoas descritas no seu post inspiram um dó muito grande. Bom, é isso. Parabéns.