15 de março de 2009

Marilena Chaui fala sobre governo Lula

Cult: A senhora disse que o governo atula "não é o governo dos nossos sonhos, não é exatamente de esquerda", que não teria o perfil de esquerda. Considerando, portanto, essa ambiguidade ideológica que se reflete na própria agenda do governo, a senhora acredita que políticas assistencialistas, além do carisma e da identificação popular do presidente , são suficientes para explicar sua boa avaliação?

Marilena Chaui - Sim e não. Sim, porque num país em que o corte de classes sempre definiu os governos, isto é, em que as políticas voltadas para os direitos sociais, políticos e culturais de todos os cidadão nunca foram desenvolvidas, ou, quando o foram , nunca foram prioritárias, em que as carências da maioria da sociedade sempre foram ignoradas em nome de privilégios da minoria, as ações deste governo instituem práticas de inclusão sem precedentes na história do Brasil e, em grande parte são responsáveis pela avaliação positiva do governo.
Não, porque a avaliação positova do governo perpassa todas as classes sociais, indicando que há aprovação de outras ações governamentais, além daquelas votladas para a transferênciade renda e inclusão social; há aprovação da política externa, marcada pela independência , do PAC, da maneira como o Brasil sofrerá menos que os outros os efeitos da crise financeira etc.
Penso também que é preciso dar um basta à tentativa de caracterizar o governo e o presidente da República como populistas. O populismo,(tal como concebido pela sociologia brasileira, já que o conceito não é homogêneo para todas as sociedades) é a política da classe dominante para exercer o controle sobre as classes populares e/ou sobre a classe média tanto por meio de concessão de benefícios pontuais quanto por meio da figura do governante como salvador de protetor.
Ora, todos esses traços estão ausentes no governo Lula: o atual presidente da República não pertence a classe dominante,não concede benefícios pontuais e sim assegura a instituição de direitos com os quais se institui uma democracia, consequentemente, a figura do governante não tem a marca de transcendência , necessária à dimensão salvítica e protetora do dirigente não democrático.
Aliás, um dos pontos mais caros À mídia , que serve como ponta de lança nos ataques dirigidos ao presidente, é exatamente sua consição de classe: um operário sem diploma universitário, que não fala várias línguas, que comete gafes em situações de etiqueta e cerimonial etc. Ou seja, a mídia entra em contradição consigo mesma quando junta populismo e presidente operário sem diploma universitário.

Marilena Chaui é considerada uma das maiores intelectuais brasileiras.
Revista Cult, nº 133, Março 2009, pg 18-19

2 comentários:

Luis disse...

Concordo em gênero, número e grau.

Luis

Sammia disse...

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